segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Jaipur Parte II – O fim de uma história de amor



De fato eu gostei tanto da cidade que resolvi voltar para mais um final de semana! Mas dessa vez foi uma turma bem grande! Quatro brasileiros, dois franceses, um ingles e um holândes.

Eu fiquei responsável por arrumar os taxis para nos levar até a cidade rosa! É triste como as pessoas tentam se aproveitar da minha história de amor com um taxista para arrumar um bom desconto. Já estava esperando eles me pedirem o endereço da loja de Saris para mais um bom negócio…
Conversei com o Raejesh, contei aquela história da brasileira vivendo na India com um salário muito baixo, passando fome, mais umas risadinhas e tudo combinado! Dois carros para oito pessoas, saindo de Gurgaon, passeando por todos os pontos turísticos e voltando para Gurgaon domingo final de tarde!
Confirmei mais uma vez o preço antes de saírmos para não encontrarmos surpresas no meio do caminho!
Tudo lindo! Saímos Sábado de madrugada e chegamos bem cedo para aproveitar a bela cidade rosa!


Por coincidência encontramos mais dois grupos de trainees (mais um brasileiro, outro francês e uma francesa, um alemão e uma alemã e um japonês) e ao todo nos tornamos 14 pessoas!


Não... não foi divertido! Para andarmos 10 passos era necessário sentar e discutir cerca de 40 minutos para tentar decidir a direção dos 10 passos! E claro que mesmo após o debate democrático sempre há os de extrema esquerda que estão lá só para ir de contra a qualquer proposta!
Final do dia, vimos quase nada, gastamos mais dinheiro, estávamos famintos e cansados! A única coisa que concordamos era irmos para o Hotel!
Mas calma... estamos na Índia! As decisões não dependem só de você (ou mesmo de outras 13 pessoas)! Existem muitas variáveis! A nossa aquele dia era o taxista, meu amado Raejesh!
A encrenca começou quando o Raejesh resolveu me pedir dinheiro para o hotel dele e do outro motorista... (??????????????????)

“Calma aí Raejesh, você me passou um preço fechado! Disse que estava tuuuudo incluso”
“Sim, tudo incluso menos meu hotel!”

Posso estar sendo ingênua... mas para mim tudo incluso significa TUDO incluso!
A situação piora quando a gente sabe que na verdade eles vão pegar o dinheiro que você daria para o hotel, embolsar e dormir no carro!
O mais desgastante não é discutir pelo dinheiro! Independente da quantia, ao dividirmos pelo número de pessoas que estávamos sairia uma mixaria para cada um! Mas o fato de ter que discutir porque você sabe que está sendo enganado e pior, discutir sobre algo que você é contra tira toda a sua energia! Para mim é um crime deixar o cara que está nos levando para cima e para baixo dormir dentro do carro enquanto eu estou em hotel, ainda mais se isso vai me custar apenas alguns trocados! A situação fica muito desgastante, já que você perde completamente o parâmentro do certo ou errado.
Final das contas, roubo ou não, mais pobre é difícil ficar! A consciência também é dele e é melhor buscar a ignorância em certas horas do que querer consertar o mundo!
Tudo resolvido, todos de acordo em pagar o hotel para os taxistas... agora então é só ir para o hostel!!!

NÃO! Claro que não! Estamos na Índia!

Lá vem o Raejesh de novo reclamando... (e depois meus pais dizem que eu reclamo demais).
Segundo o Raejesh o hostel que nós reservamos era uns 20 km da cidade, que estava lotada e com um trânsito caótico e que ele, nosso salvador, conhecia um bom hostel ali pertinho.
Ok, ainda não possuo graduação nos golpes indianos... mas esse é o mais manjado de todos! Levar turista para hotel que você tem comissão é o primeiro capítulo de como enganar um turista.
E começa outra briga! Sim... porque aqui a sua vontade não é relevante! Você tem que gritar e espernear até que esteja claro que é para o seu hotel que você vai! Não adianta olhar para a cara do indivíduo e falar que você não dá a minima para a distância, ele vai reclamar! Alias, não adianta argumentar! Ele vai reclamar! Nessa hora, como diz minha sábia tia, você precisa “por o pinto na mesa e se impor”. Pinto posto seguimos para o hostel!
Miraculosamente fizemos os 20 km de distância no trânsito caótico em menos de 5 minutos!
O que aprendi com isso??? Nem aqui na Índia o amor supera a ganância! Não sei se meu dote não era o suficiente, mas depois desse golpe dei por encerrado meu romance com o Raejesh! 
Mas tudo isso foi só a primeira parte do sábado!
Ainda tínhamos que decidir o que fazer a noite, decidir quem iria nos levar, o que iríamos comer… Era tanta gente e tanto palpite que claro não saimos do lugar! Acabamos aproveitando o terraço do hostel, compramos algumas cervejas e passamos a noite gastando assunto!
Acontece que quando você junta 6 brasileiros (sim, porque mais um brasileiro apareceu do nada!) não há como não se divertir! Pobres franceses que não entendem a graça de dizer “o papagaio está no seu pescoço”: Le Perroquet est dans son cou (pronunciando com sotaque carioca: La piroquê esta son cú).
Dia seguinte mais trapalhadas! Mas no final das contas estamos na India! Isso faz parte do pacote que compramos! Ninguém vai mudar a cultura de ninguém em um final de semana, nem em um ano… E nessa viagem pude observar outros trainees que tentando “civilizar” os indianos e o quanto isso é irritante e bizarro! Ao mesmo tempo pude ver que quando você deixa de lado a barreira ocidental e tenta sair um pouquinho do seu grupo para viver a experiência local você só tem a ganhar!

Agradecimentos especiais a esse maluco (corinthiano, tinha que ser) que sabe muito bem aproveitar a vida!


Um pouco mais de Jaipur…

Brazucas!







quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Saudades, fome e carne...

Ontem acordei com vontade de casa.

Acordei com a certeza de que já "vivi" o bastante aqui e que precisava voltar para a minha família! Precisava estar com eles. abraça-los, contar todas as loucuras que passei por aqui e voltar para a minha vida!

Passei o dia olhando para a tela do computador esperando um aviso do skype dizendo que meus pais estavam online.

Maldito fuso horário...

As seis horas da tarde daqui finalmente consegui falar com eles.

Mas vê-los pela tela do computador não era o bastante. Queria estar lá! Queria poder sentar no meu sofá abraçada com meu pai assistindo mais um programa do Discovery e ouvir seus comentários impressionados e fingir também estar impressionada já que estaria quase dormindo ou pensando em alguma outra coisa. 

Queria poder jogar video-game com meu irmão... especialmente Guitar Hero!!! 

Queria assistir desenho abraçadinha com a minha irmã! 

Queria passar o dia atrás da minha mãe contando histórias que ela não quer ouvir mas sempre ouve porque me ama! 

Queria estar me arrumando pra sair com a Dri e resolver passar a noite na casa da minha tia enchendo a cara de vinho porque é e sempre será nosso programa favorito!

Mas mais do que tudo... queria chegar em casa e sentir o cheiro da comida da minha mãe... ou melhor, cheiro da comida da minha mãe eeee da minha avó! Sabe aquele feijão fresquinho e CARNE, muita CARNE!

Ontem eu odiava a India e os indianos... principalmente os indianos!

Mais tarde alguns amigos me convidaram para jantar na casa deles. Com certeza seria melhor do que passar o resto da minha noite pensando em casa e, além do mais, não tinha comida aqui e o jantar seria a minha primeira refeição do dia.

Meu amigo passou para irmos ao supermercado comprar os ingredientes e cozinharmos todos juntos!

Se meu dia estava ruim a noite conseguiu piorar...

Fiz a besteira de achar um "açougue" dentro do supermercado... Meu coração disparou com a possibilidade achar ao menos carne moída... 

Corri em direção ao paraíso!

Ainda não entendo como tenho esperança nesse lugar! Maldito "açougue"! FRANGO, FRANGO e FRANGO!

Amigos indianos... FRANGO NÃO É CARNE!

Estava mais frustada do que nunca e comecei a me perguntar porquê a vaca é sagrada... Nunca me questionei sobre isso! Simplesmente aceitei esse fato absurdo! Mas ontem enfurecida fiz a besteira maior de perguntar para os indianos o porquê daquela adoração. 

A resposta: Porque a vaca é um animal muito bondoso que produz nosso leite e o nosso paneer (queijo)!

Pergunta: Seria ela menos sagrada se também fornecesse a carne? 

Cheguei na casa dos meus amigos e ainda não contente com a resposta do indiano resolvi pesquisar mais sobre o assunto... Mais uma besteira.

Segundo a Revista Ciencis (http://ciencis.blogspot.com/2009/01/saiba-por-que-vaca-sagrada-na-ndia.html):


"Na Índia, a vaca é considerada um animal sagrado, responsável pela renovação. Ela seria o animal que transportava o deus Shiva e controlava seus impulsos.
Essa crença vem do hinduísmo, considerada a religião mais antiga existente, antecedento até os registros históricos.
Shiva é o deus mais conhecidos entre nós Ocidentais, e ele, para os indianos, é responsável pela renovação e pela transformação."



Segundo a Wikipédia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Vaca_sagrada):


"No hinduísmo, a vaca é considerada sagrada e a sua proteção é um tema recorrente na qual é considerada um símbolo de abundância, da santidade de toda vida e da terra que dá muito embora não pedindo nada em troca. A maioria dos hindus respeitam a vaca como uma figura matriarcal por suas natureza gentil e por fornecer leite e seus produtos para uma grande parte da dieta vegetariana. Possui um lugar de honra na sociedade, e é parte da tradição hindu de evitar o consumo de carne bovina."


Ou seja, a vaca é sagrada porque ela fornece toda a base da alimentação indiana e porque carregava o deus Shiva.

Continuei revoltada e querendo voltar pra casa e comer o maior número de vacas que conseguisse! Não parava de pensar na falta de lógica dessa adoração! Pra mim ela seria ainda mais sagrada se além do leite me fornecesse a carne também.

Meus amigos me fizeram parar de pensar um pouco nisso para finalmente jantar!

Após o jantar, o meu ódio de repente diminuiu...  Sem explicação maior, a saudades de casa não era mais sufocante e nem lembrava mesmo porque eu estava tão preocupada com a santidade da vaca já que não seria eu que mudaria essa condição.

Aprendi uma lição importante: comer ajuda a matar a saudade e o preconceito! 

Brincadeiras a parte... eu realmente me acalmei após a janta e coincidentemente achei um blog interessante (http://alexandremontagna.com/blog/arquivo/por-que-a-vaca-e-sagrada-na-india/) falando sobre o porquê que a vaca é sagrada:


"(...)o assunto da vaca ser sagrada na Índia. Há uma visão muito equivocada sobre isso aqui no Ocidente. Geralmente, quem pergunta o faz de forma grosseira e demonstrando pouca compreensão.

Texto extraído de uma das várias webclasses disponíveis gratuitamente no site da Uni-Yôga
E o ocidental, com aquele jeito compulsivo, pergunta com petulância:
- Por que a vaca é sagrada?
E o indiano com muita tranquilidade disse para ele:
- Olha, a vaca me dá leite, me dá iogurte, me dá queijo, me dá manteiga, puxa o meu arado e me ajuda a produzir alimentos. Trabalha a vida inteira para mim. Me dá o esterco que eu utilizo para fertilizar a terra, e fazer o compustível para fazer a comida. E no final da vida, doando-se e me dando coisas, ela morre. E aí ela me dá seu couro, o seu chifre e os seus ossos que utilizo para artesanato, roupas. É sagrada ou não é? Se não fosse a vaca, o meu povo – disse ele – a essa altura estaria passando fome, porque é a vaca que fertiliza os campos e é a vaca que puxa os arados.
E de novo perguntou:
- é sagrada ou não é?


Provavelmente você tenha lido rapidamente. Volte e leia tudo de novo: isso é uma verdadeira lição de moral. É a nobre  atitude do Ser Humano de ser grato a quem o sustenta e a quem o faz bem. A vaca é o animal que mais auxiliou na sustentação do povo indiano, e eles são gratos por isso."


Não há nada novo nessa explicação, mas fez muito mais sentido pra mim! Talvez porque eu tenha me reconhecido como a ocidental que pergunta "de forma grosseira e demonstrando pouca compreensão".


Ainda sou carnívora e prefiro a vaca morta no meu prato do que andando pelas ruas indianas. Mas de alguma forma começou a fazer sentido pra mim!


Meu próximo passo: entender por que os ratos também são sagrados!
  



terça-feira, 19 de outubro de 2010

Jaipur

Parte 1

Pouco antes da Vanessa ir embora conseguimos ir passar o Domingo em Jaipur.
Jaipur está a mais ou menos 300 km de Gurgaon. Acredito que em qualquer em lugar do mundo as pessoas levariam 3 horas e meia, um pouco mais ou um pouco menos. Mas não por essas bandas. Aqui o recorde é de cerca de 5 horas sem paradas!

Mas as 5 horas dentro do carro ouvindo a doce melodia das buzinas indianas valem a pena quando avistamos a cidade.
Primeiro que o lugar é rodeado de montanhas e muita vegetação tornando a vista bem mais agradável! O segundo ponto é que se você criou na sua cabeça a imagem de uma Índia cheia de cores, contrastes, elefantes, camelos, e muitos lugares espetaculares, Jaipur é, ao menos para mim, a perfeita descrição da Incredible Índia!
A turma do porão foi em peso! Marika, Andrew eu e Vanessa!

Turma do porão!

Tivemos a sorte de ter um guia super bem humorado que tornou nossa viagem ainda melhor.
Marika, eu, Ganesh (nome do guia... não é brincadeira) e Vanessa em frente a atual casa do Marajá

Somente um pequeno parênteses ... é um fato comprovado que indiano não sabe contar piadas.
Visitamos a maior parte da cidade, mas vale a pena falar dos pontos altos do passeio:

Amber Forte

Quarto do Marajá


Miss Jaya, eu e Vanessa!

Antiga casa do Marajá. A arquitetura é cheia de detalhes e a vista da cidade é maravilhosa. Porém o melhor mesmo é subir até o forte de elefante!!!!

City Palace


Atual casa do Marajá

Water Palace

Lago artificial criado somente para que o Marajá tivesse um lugar para se refrescar no verão que pode chegar a 50 graus.

Comprar Sári

Vir para Índia e sair sem um Sári é muita “falta de sacanagem”. Decidimos então aproveitar o tempo que tínhamos e fazer umas comprinhas!
Achamos uma loja com sáris lindos! Depois de alguns minutos (não mais que 1 hora eu juro!) escolhemos nossos sáris! Agora, você sabe colocar??? O sári não passa de um pano comprido para C&%#@#$ sem botão, sem zíper e obviamente sem manual.
Como duas turistas resolvemos pedir ajuda para o vendedor... algo como um curso rápido para colocar seu sári.
Sou amiga mas nem tanto... mandei a Vanessa ir primeiro! Se nada acontecesse com ela eu encarava!

Por incrível que pareça nada aconteceu! Lá estava a Vanessinha linda de sári.
Minha vez então!
Eu tenho certeza que eu não trouxe aproximadamente 60 kg de bagagem somente em roupa! Certeza absoluta que eu trouxe meu companheiro de viagens na mala.... meu amigo Murphy! Porque não tem outra explicação...
Estava eu lá confiante no meu personal indian stylist! Quando, de repente, o safado resolve dar uma senhora ajeitada no sári... traduzindo para o bom português, o indiano resolveu apalpar meus peitos ali na cara dura!
O safado disfarçava arrumando o sári... então antes de fazer barraco olhei pra Vanessa e perguntei se o cara tinha apalpado ela também! 
Claro que não! 
A única tapada lá era eu que estava discutindo se era normal apalpar o peito de alguém para colocar o sári ou não!
Momento exato em que o indiano esta me apalpando, eu perguntando para Vanessa e o Andrew tirando foto...

Não consigo explicar a raiva que me deu! Principalmente da minha não reação!
Mas no final das contas o estrago estava feito! Não adiantava gritar ou espancar o cara... o que a gente podia fazer era negociar um desconto! Não me leve a mal... eu ganho em Rupias!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Mas o amor...


Liz, a personagem interpretada por Julia Roberts no filme Eat, Pray and Love pode não ter encontrado seu amor aqui na Índia, mas bem que poderia!
Primeiro por uma questão de estatística! Em Delhi, por exemplo, existem aproximadamente 865 meninas para cada mil meninos segundo a Folha de São Paulo.
Agora, levando em consideração que a Índia é o segundo pais mais populoso do mundo, você pode observar alguns números bastante interessantes!
A Índia tinha em 2001 um total de 1,027 bilhão de habitantes, dos quais 531 milhões de homens e 495 milhões de mulheres, ou seja, uma taxa global de 933 mulheres para cada mil homens.
Não precisa ser nenhum gênio pra constatar que encontrar sua alma gêmea aqui na India, minhas amigas, será bem mais fácil!

Shahrukh Khan

Nada mau não é???
Agora volta para a realidade!



Mas esse papo de números e estatísticas nada combina com amor!
Muitos já ouviram falar dos casamentos arranjados, de noivos que se conhecem somente no dia do casamento. 
Para as famílias tradicionais, os casamentos devem ocorrer por volta dos 23 anos, quando os pais começam a procurar candidatos (pai… como está a procura aí no Brasil?).
Nos dias atuais, os candidatos se encontram com a pretendente e decidem se querem se casar ou não, diferente de antigamente. Somente depois desse encontro é que o casal fica noivo. O mapa astral dos noivos também é consultado, para ver se combinam!
No Brasil não é muito diferente… Vai dizer que nunca viram pais desesperados enterrando Sto Antônio para tentar desencalhar a filha… E quem nunca foi em uma cartomante ou consultou o horóscopo Terra que atire a primeira pedra!

Mas agora falando de experiências pessoais…

Sim confesso, sou culpada! Consultei uma (duas, três… isso não é relevante) cartomante antes de vir para India. Acreditem ou não a moça tem acertado bastante…
Por exemplo, ela me disse que no meu primeiro mês eu iria brigar muito por causa da minha casa! 99% dos meus posts foram exatamente sobre isso!
Mas como mulher, é claro que sempre queremos saber da vida amorosa… Bom, resumindo a novela, ela disse que eu iria encontrar alguém aqui na India! Não é que a guria estava certa!


O moço é super multi-tarefas! Além de motorista ele também é meu professor de Hindi e instrutor de direção!
Raejesh é o responsável por me trazer para o trabalho todos os dias e me levar pra casa! Além disso, ele é o único Indiano que teve a boa vontade de me ensinar Hindi!
Todos os dias ele só fala comigo em Hindi… Tudo o que eu falo em inglês ele repete em Hindi e assim estou aprendendo!
Como se já não fosse o bastante ele me deixou dirigir o taxi na volta pra casa! Lembrando que o povo aqui dirige na mão errada e que o trânsito indiano é cúmulo da desorganização! Aiii me diverti hoooorrrores! Até aproveitei pra buzinar! De fato é bem relaxante e funciona!
Raejesh foi quem nos levou ao Taj Mahal e aproveitou para curtir o passeio conosco! Na semana seguinte fiquei sabendo que ele mostrou nossas fotos para todos da família (já conheço os três irmãos dele!).


Acreditem ou não, o moço tem 23 anos (VINTE E TRES ANOS)…  o povo aqui é bem judiado. E agora que já conheço a família, já nos conhecemos, fico pensando qual será o próximo passo para o casamento? Quantos camelos eu devo valer?

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Sempre Inconstante


Hoje consegui conversar com um grande amigo que me faz muita falta por aqui, apesar de ter encontrado praticamente uma nova família.

Enquanto contava sobre minhas aventuras na Índia o que eu mais repetia era como aqui nada é constante!

Isso não somente é uma verdade como é uma regra!

Agora você está bem e em 10 segundos você está mal! E vice-versa!

Essa regra se aplica pra tudo! Por exemplo, você vai à um restaurante legal e come algo delicioso! Você está bem! Dez minutos depois você sente que a comida possui vida própria... você está mal!
Você junta a galera pra ir para balada! Você esta bem! Você precisa ligar pro taxi e  negociar o preço com alguém que acredita que fala inglês... você está mal!

Tudo isso acontece centenas de vezes ao dia! Não consigo imaginar menopausa na Índia já que variação de humor é algo do cotidiano, pelo menos para quem não está acostumado com esse estilo de vida!
O pior é que isso vai contra tudo aquilo que aprendi na escola, faculdade, AIESEC e família! Desde pequenos somos ensinados a pensar e planejar:

  • O que você vai ser quando crescer?
  • Quem faculdade você quer fazer
  •  Quer trabalhar em que área?
  •  Qual seu plano de carreira
  •  Aonde você se vê daqui 5 anos?


Aqui é impossível, ou pelo menos praticamente impossível!

O mundo inteiro está criticando a falta de organização para o Commonwealth games! Mas o que o mundo inteiro não entende é que não é uma questão de desorganização, mas sim de não planejamento! Não se trabalha com metas a longo prazo porque a Índia está mudando a cada segundo em um ritmo assustador!

Ontem a maior parte da população trabalhava no campo e não tinha acesso a banheiros. Hoje as cidades estão super lotadas e crescendo cada vez mais (e ainda assim eles não usam banheiros).
Ontem eles não possuíam ruas, hoje eles inauguram linhas enormes de metro!
Claro que é fácil dizer que se ele ao menos planejassem o mínimo que fosse as coisas poderiam estar bem melhores!

Não é muito prático construir um prédio comercial em um lugar sem ruas! Você tem metro mas não tem calçadas! A velocidade media em uma estrada indiana é de 40 km/h e estamos falando de um dos países mais presentes no comércio internacional, conhecido pelo seu baixo custo de produção. Imagina se as estradas fossem melhoradas qual seria o potencial desse país?

Mas quem sou eu pra julgar... mal consigo planejar o dia de lavar as minhas roupas! 

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A Casa - A saga chega ao fim!


Desde que eu cheguei aqui meu maior problema foi a bendita acomodação! Eu tinha certeza que ninguém da AIESEC iria me pegar no aeroporto, que eles nunca iriam me procurar ou qualquer outra expectativa normal de um trainne da AIESEC, mas uma certeza eu tinha, CASA EU TENHO!

HA HA HA!

Como diz minha irmã viciada em programas de baixa qualidade “Ahan Claudia, senta lá!”
Alguns já sabem e eu já comentei de algumas aventuras (e gastos) devido a minha não acomodação. Mas mesmo assim, ai vai um resumão:

  • ð Mari chega na Índia e acredita que possui um lar...
  • ð Mari não acha o lar e vai ficar com Chico, seu salvador!
  • ð Mari descobre que vai morar em um barraco mal assombrado (não é exagero)
  • ð Mari chora e consegue ficar um tempo na Guest house da empresa
  • ð Mari é expulsa da Guest House da empresa (não aprontei nada dessa vez)
  • ð Mari vai morar em um porão com mais três pessoas

Quarto duplo


Closet

Cozinha/ lavandaria


Moradores do Por ão!


O porão merece alguns comentários a mais! Como todo porão era desprovido de janelas! Na verdade o porão em que morava era bem padrão! Um quarto escuro, fedido, habitado por ratos, lagartixas, e outros bichos! Além de nós, claro!
Foram três boas semanas vividas praticamente sem internet ou ar fresco!
Os banhos também eram algo aparte! Freqüentemente acabava a força eeee a água! E como Murphy mudou pra Índia assim que soube que eu vinha a força e a água acabavam logo apos eu passar shampoo no cabelo! Ahhhh belos momentos passamos juntos!
Mas isso tudo é passado! Indo contra toda a lógica da AIESEC Índia que afirmava categoricamente que seria impossível eu morar com os trainees, cá estou eu!
O apê é ótimo! Enorme para os padrões brasileiros! Quatro quartos, uma sala enorme e uma bela cozinha (não que eu vá usar).  Estou morando com Um ucraniano, um romeno, uma romena, uma espanhola, um indiano e um brasileiro!
Me mudei no ultimo Sábado e já tivemos festa de aniversário para minha ex room mate Marika! Com direito a jantar e bolo!
Hoje não sou mais uma sem teto! Ainda tenho muitas preocupações.... o Corinthians ganhar o brasileirão, planejar o homicídio da Dilma e do Lula como um favor ao mundo, terminar meu tcc, entre outras coisas! Mas casa... agora eu tenho! 

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Krishna



Finalmente um novo post!

Confesso que já estava quase abandonando! Mas não é por falta de novidades para contar, é que ficar conectado aqui na India é quase impossível, e desde que comecei a trabalhar meus momentos de lazer se tornaram bem escassos! 

Mas para ser sincera, desde o último post minha opinião sobre a India mudou consideravelmente! Tudo graças a Krishna!


Krishna's Birthday!






Dia dois de agosto foi feriado aqui na India! Como uma boa brasileira fiquei feliz por não ter que trabalhar mas a minha curiosidade sobre o feriado não foi grande o bastante para tentar descobrir do que se tratava! (erro meu eu sei...)

Sorte que tenho um companheiro de aventuras muito mais interessado que eu! Chico logo descobriu que o feriado era devido ao aniversário de Krishna (quem???) e que teria comemorações especiais em um templo em New Delhi!

Ok, let's google it!!!

Primeiro, quem é Krishna?


Logo depois que descobri que muitos acreditam que Jesus é uma das reencarnações de Krishna confesso que fiquei bem mais interessada!

Segundo, como chegar no templo?

Google maps não é uma ferramenta muito útil nesse país. Perguntar para o povo local também não é uma boa idéia já que mesmo quando não sabem eles teimam em te passar alguma direção errada!

Resolvemos fazer um pouco dos dois e levar muita coragem e determinação na bolsa!

Saímos em uma pequena caravana: eu, Vanessa (trabalha comigo), Chico, Andrew (meu novo room mate) e Gisha (amigo do Andrew que já mora na India ha uns dois anos)! Todos seguimos em busca de Iskcon!

Inacreditavelmente conseguimos achar sem problemas o templo, mas como nada na India é tão fácil como parece sabíamos que algumas surpresas nos esperariam.



Dito e feito!

Quase um quilometro antes da entrada do templo, uma espécie de posto policial havia sido montado. Aqui é bem normal ser revistada e ter sua bolsa vasculhada devido ao perigo de terrorismo, mas não tínhamos idéia do que ainda iríamos passar!

Surpresa!!!! Não pode entrar com sapatos no templo... 

ok... ok... ok... 

Quando eu chegar ao templo boto meu tênnis  na bolsa!

Nops... antes mesmo de passarmos pela base policial teríamos que tirar os sapatos e detalhe que eles não poderiam nem ficar escondidos e salvos em nossas bolsas! Larguei meu sapato em um saco plástico em uma espécie de armário comunitário... daqueles que você troca sua sacola por uma senha... Já comecei a rezar...

Ahhh mas vale lembrar que eu ainda não estava no templo! Faltava andar 1 quilometro mais ou menos ... 

Resumindo a situação:

Estava chovendo muito, com direito a raios e trovões. As ruas que abrigam vacas, porcos, ratos e urina humana estavam completamente alagada. A cor da água variava entre o marrom lama e o preto esgoto... 
LEMBRANDO QUE EU ESTAVA DESCALÇA!

Fomos revistados e mais uma vez o Chico se ferrou... o policial simplesmente olhou todos os bolsos e compartimentos secretos que existiam na bolsa dele ... sem contar que ainda queria levar de prêmio a câmera fotográfica e o cigarro...
A sorte é que o "puliça" indiano se deu por satisfeito com o cigarro do Chico.

Começamos nossa caminhada. Vanessa e eu de um lado, Andrew, Chico e Gisha de outro. Acreditem quando eu digo que separar homens e mulheres é uma proteção e não discriminação!

Trinta minutos depois, finalmente chegamos ao templo! 

A visão do templo fez os trinta minutos andando descalça nas ruas indianas valer a pena! O lugar era todo colorido, repleto de luzes e muita música alegre!



Devido a quantidade de gente não podíamos ficar dentro do templo por muito tempo. Era apenas uma passagem rápida mas que valeu a pena cada segundo! 

Dentro do templo havia muita luz, imagens coloridas e pessoas dançando Hare Krishna!

Foi sensacional! Impossível descrever!




Na saída fiquei tão empolgada que comprei um livro com os ensinamentos de Krishna! Claro que em inglês... não sou tão tapada pra comprar em Hindi! Mas também já desisti de ler... essas histórias indianas tem um milhão de personagens, cada nome tem umas 4 linhas... na segunda página já tava perdidinha...

Krishna me ajudou muito a decidir aproveitar a India!

Ontem completei quatro semanas e as coisas estão bem melhores... mas conto isso em um próximo post!